sábado, 3 de março de 2012

A palavra exata

"Não é que as palavras vagueiem incertas algo: o próprio mundo é incerto, as palavras são exatas". Diante dessa reflexão do protagonista de "Um pai de cinema", romance de Antonio Skármeta, o colunista do jornal O Globo, José Castello, afirma, em crônica publicada em 3 de março de 2012, que se sentiu derrubado. Até então, frequentemente se encontrava brigando com as palavras. "As palavras, propõe Skármeta cheio de fé na escrita, não são inexatas, tampouco insuficientes; ao contrário, elas são nossa única chance de exatidão. Inexato, turbulento, incerto é o mundo e seu destino. Imprecisas são as coisas. Turbulenta é a vida. Das coisas do mundo as palavras, vez por outra, conseguem arrancar nacos rápidos de luz. Como a luz ilusória do cinema, brevíssima, mas que nos inebria e consola. E no entanto, quando o filme termina, voltamos a enfrentar a aspereza do real".
Em palestra proferida em Póvoa de Varzim em fevereiro deste ano, Rubem Fonseca trata do mesmo assunto quando afirma que não existem sinônimos. Segundo ele, "cada palavra tem um significado diferente. Essa coisa de sinônimo é conversa mole pra boi dormir dos gramáticos". Nosso escritor ainda ilustrou seu pensamento com o fato de Gustave Flaubert ter levado cinco anos para escrever Madame Bovary porque estava à procura do "mot juste", a palavra certa. A palestra está no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=QqjLOOs8h5k&NR=1&feature=endscreen

Nenhum comentário:

Postar um comentário